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CAPTULO 25 
EMPREGO DA PREPOSIO 
PAPEL DA PREPOSIO 
 ofcio das preposies subordinar um elemento da frase a 
apresentando o segundo como complemento do primeiro: 
livro de versos, rosa sem espinhos, digno de memria, eh 
graa, casa para repouso, estar no campo. 
A palavra que serve de ncleo  construo, aquela cujo s 
vai ser restringido pelo complemento, chama-se antecedente; 
o nome de conseqente a que se segue  preposio. 
O antecedente pode ser um substantivo, um adjetivo, um vert advrbio e algumas interjeies; mas o conseqente h de ser s um conceito substantivo (expresso por 
substantivo, pronome, infii orao substantiva, ou palavra substantivada). 
Casos como castigou-o por fraco, em que o conseqente  ii jetivo, explicam-se pela omisso do verbo ser (castigou-o por ser ou por cruzamento mental com outra construo 
do tipo desta: 
gou-o por sua fraqueza. * 
Adjetivos designativos de nomes de cores (vestir-se de bra4 
advrbios de tempo e de lugar (vou at l,ficarei por hoje) tm c 
de substantivos quando vierem depois de preposio. 
Construdas com pronomes pessoais, as preposies essenci 
dem as formas oblquas tnicas mim, ti, si, etc. -, exceto cor 
d as combinaes comigo, contigo, consigo, etc. 
Assim, a mim, ante mim, contra mim, de ti, sem mim, lut 
si, perante mim, entre mim e ti, etc. 
* "La verdadera calidad expresada por adjetivo no admite ei rgimen de i posicin; ei trmino normal es siempre un concepto sustantivo" (Rodolfo La 
cit., p. 508). 
354 
REGIME DE 'EXCETO', 'SALVO', 'FORA' E 'AFORA' 
J as preposies acidentais, isto , palavras de outras categorias que podem funcionar como preposies, no aceitam as formas oblquas tnicas dos pronomes pessoais. 
Delas, exceto, salvo, fora, afora empregam-se com o pronome pessoal em forma reta: 
Saram todos, exceto eu (Ou salvo eu, fora eu, afora eu). 
Mereceramos castigo, exceto tu (ou salvo tu, fora tu, afora tu). 
REGIME DE 'SEGUNDO', 
'CONFORME', 'MEDIANTE' E 'DURANTE' 
Segundo, conforme, mediante, consoante, no obstante recusam conseqente pronominal, quer em forma oblqua, quer em forma reta. Dar- 
se- outra construo  frase, por exemplo: 
Segundo a minha opinio. 
Conforme teu modo de ver. 
Mediante a minha ajuda. 
Consoante o teu pensamento a respeito. 
No obstante a minha oposio. 
Finalmente, durante no se combina tambm  1 ' e  2' pessoa; 
"mas deve entender-se que nas locues durante ela, durante ele, falando de tempo, o pronome est na forma reta".* 
PREPOSIES FRACAS E FORTES 
Dividem-se as preposies em fortes e fracas. ** As primeiras (contra, entre, sobre) guardam certa significao em si mesmas; as outrs (a, com, de) no tm sentido 
nenhum, expressando to-somente, em estado potencial e de forma indeterminada, um sentimento de relao. 
* M. Said Ali, Gramtica secwidria da lngua portuguesa, cit., p. 102. 
** Alberto Sechehaye, ob. cit., p.7'7. 
355 
No contexto  que se concretiza o valor significativo das vrias rela que elas tm aptido para exprimir. 
MeyerLbke,* depois de declarar expressamente que sua sist tizao era, at certo ponto, arbitrria, esboa uma classificac relaes fundamentais que as preposies 
podem denotar, grupand em cinco classes: preposies de lugar, de tempo, de modo, de trumento, de causa e fim. 
O emprego abstrato e metafrico ter resultado de um desenv mento posterior. 
Passemos a estudar isoladamente o uso e o significado das w 
preposies portuguesas: 
VALORES DA PREPOSIO 'A' 
1) Introduz os vrios tipos de objeto indireto, correspondendo, tanto, o seu emprego ao emprego normal do dativo latino: 
"Iracema, depois que ofereceu aos chefes o licor de Tup, 
do bosque." (JOS DE ALENCAR) 
"Gonalo Loureno entendeu-o. Beijou a mo a el-rei e sai 
(HERCULANO) 
2) Inicia o objeto direto preposicional: 
"A noite, me caritativa, encarregava-se de velar a todos. 
(MACHADO DE Assi 
"Benza Deus aos teus cordeiros." (RODRIGUES LOBO) 
3) Rege o complemento de muitos adjetivos, especialmente os significam: 
a) Disposio de nimo em relao a um objeto: 
aceito, agradvel, caro, grato, favorvel, benigno, fiel, d propcio, leal, amigo, contrrio, hostil, traidor, avesso, adve rebelde, odioso, refratrio, til, nocivo, 
prejudicial, pernicio sensvel, duro, surdo, cego, mudo, atento, alheio. 
* Meyer-Lbke, ob. cit., vol. 3, pp. 485-530. 
356 
i-i -r 'r r 
b) Aproximao: 
prximo, propnquo, vizinho, adstrito, comum. 
c) Semelhana: 
semelhante, anlogo, igual, idntico, equivalente, conforme, paralelo. 
d) Concomitncia: 
coevo, coetneo, contemporneo. 
Alm desses: 
e) Os adjetivos em nte, derivados de verbos que se constroem com a (sobrevivente, correspondente). 
j) Os particpios passivos de verbos reflexos que se constroem com a (afeioado, acostumado, parecido). 
g) Os comparativos formais anterior, posterior, superior e inferior. 
Exemplos: 
"Pois eu digo que este  o templo aceito a Deus..." (RuI) 
"E foi fiel ao juramento santo..." (FILINT0 ELsIo) 
"Es surdo a seus lamentos?" (HERCULANO) 
"Seu cepticismo no o fazia duro aos males alheios..." 
(MACHADO DE AssIs) 
"Que motivo to forte a obriga a exigir desse moo um sacrifcio 
superior a suas posses?" (MACHADO DE Assis) 
 4) Enceta o complemento de alguns substantivos verbais, que con serva o regime dos verbos correspondentes: obedincia, submisso, 
adaptao, adeso, aluso, assistncia, etc. 
Exemplos: 
"(...) no podia tanto comigo a conscincia da sujeio ao dever, que..." (CAMILO) 
"No conhecem a obedincia aos superiores e a reverncia aos mestres.'' (RUI) 
De ordinrio, o substantivo (como objeto direto) forma corpo com 
o verbo, e o complemento se prende mais propriamente ao conjunto (fazer guerra a, ter horror a). 
Ter sido por aparecerem com freqncia em locues desse tipo 
que muitos substantivos abstratos, quando empregados isoladamente, 
se passaram a construir com a: 
357 
"Impediam-no o natural acanhamento de provinciano, e o 
entranhado aos seus clssicos..." (CAMILO) 
"Eis aqui a razo do dio de Calisto  raa do mau portugu 
(CAMILO) 
"(...) nestas cegas agitaes de dio a outros povos..." (] 
5) Encabeando complementos circunstanciais, exprime um nmero de relaes: 
a) Termo de um movimento, de uma extenso ou de um transc de tempo: 
"Os homens tinham entranhas para deitar Jonas ao mar 
(VIEIi) 
"Recolhiam-se a casa os lavradores." (GUERRA JUNQUEIF 
"(...) a infinita diferena que vai da arte  natureza..." 
(BERNARDES) 
era mancebo de vinte e dous a vinte e cinco anos... 
(HERCULANC 
b) Proximkkide, contigidade: 
"Um curioso em Itlia (segundo um autor de crdito conta) 
tando com sua mulher ao fogo lendo o Ariosto..." (RODRIG 
LoBo) 
"(...) a igreja estava fechada e o sacristo  porta com as cha 
na mo." (HERCULANO) 
"Os Presos, s grades da triste cadeia, 
Olhavam-me em face!" (ANTNIO NOBRE) 
"E violetas e cravos quando passa, 
Rosas, jasmins, rindo, com as mos nervosas Colhe. Volta, e ante o espelho s tranas pretas Prende os jasmins, os cravos e as violetas Prende  cintura, prende 
ao seio as rosas." (ALBERTO OLIVEIRA) 
"(...) pe-se  mesa, e prepara-se para escrever..." (GARRE 
Nos seguintes versos o nosso Alberto de Oliveira (Poesias, 3 rie, 1928, p. 52) mostra a diferena que geralmente se faz entre mesa (= em cima da mesa, sobre a mesa) 
e  mesa (= junto  me para nela fazer algo): 
358 
"E na mesa a que escrevo, apenas fica 
Sobre o papel - rastro das asas tuas, 
Um verso, um pensamento, uma saudade".* 
c) Posio, situao: 
"Aquela cinta azul, que o cu estende 
A nossa mo esquerda..." (CLuDI0 MANUEL DA COSTA) 
"Cavaleiros - disse o conde de Seia depois de escutar um instante e aproximando-se da mesa - assentai-vos. Marechal  cabeceira. Que ningum ocupe esse lugar junto 
a vs. E bom para o vilo." (HERCULANO) 
d) Direo: 
"- Como se chama? - perguntou-lhe o notrio, fitando-a por cima dos culos, com a pena de pato apontada  pgina da nota." 
(CAMILO) 
"J me no era pouco a graa (pela qual erguia as mos ao cu) de abrir os olhos  realidade evidente da minha impotncia..." (RuI) 
e) Distncia: 
"A um tiro de besta abria-se um vale entre dous montes, cujos 
cimos se prolongavam para o norte." (HERCULANO) 
f Tenpo: 
"Beatriz apenas sara do letargo em que ficara  partida do monge..." (HERCULANO) 
"Adeus, rouxinol dos hortos, 
que s matinas acordavas." (CASTILHO) 
"Tudo  sazo de amor deve cantar de amor." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
Alm de indicar o momento rigoroso como no ltimo exemplo, ainda 
pode a preposio a traduzir o tempo habitual: 
"(...) e jejuava dous dias cada sbado; isto , cada semana; que 
era s segundas, e quintas-feiras..." (BERNARDES) 
g) Concomitncia: 
"(...) e recitava versos dele ao piano..." (CAMILO) 
* Sousa da Silveira, Obras completas de D. J. G. de Magalhes, vol. 2 (Suspiros poticos e saudades'), Rio de Janeiro, Ministrio da Educao, 1939, p. 121, nota 
52. 
359 
Em certas construes torna-se mais complexa a idia de siir neidade: a preposio denota "fenmeno ou ao, em concomit com o qual ou a qual, ou em conseqncia 
ou por influncia do ou da qual outro fenmeno ou ao se produz" (SILVEIRA, Li p. 294): 
"Fechai logo esta porta por dentro, e no abrais seno  n 
voz." (GARRETT) 
"Que a teus passos a relva se torre..." (GONALVES DIA 
"Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunha 
(MACHADO DE ASSIS) 
Neste tpico, a nosso ver, cabe classificar os complementos 
indicam o agente fsico a que algum ou alguma coisa est exp 
"Uma tarde a Brites tecedeira sentara-se em um toro de cast 
 porta do casebre, aquentando-se  rstia do sol..." (CAr 
"E no h neste labor nem dureza, nem arranque. Todo feito com a mansido com que o po amadurece ao sol." 
DE QUEIRZ) 
h) Motivo: 
"A pedido de Calisto Eli, fora o abade de Esteves levar a 
tradas ao magistrado..." (CAMILo) 
"Ento, a rogos, promessas e protestos dos companheiros, 1 
cia volta." (Rui) 
1) Fim: 
"Chama o Rei os senhores a conselho..." (CAMES) 
"(...) era domingo: o sino tocava  missa..." (HERCULA] "Que desse dinheiro a juros. Asseverava-lhe que uma dz contos bem administrados, era obra para dar oitenta 
conto dous anos." (CAMILO) 
j) Modo: 
"vivei  vossa vontade 
e havei prazer." (GIL VICENTE) 
"(...) partiram a galope ambos para o mesmo lado..." 
(HERCULANO) 
"D. Cipriana refastelou-se mais a seu cmodo na poltron 
(HERCUU 
360 
Pode incluir-se nesta classe o emprego da preposio a nos complementos que denotam o reg(men de alimentao a que algum est 
sujeito ou se submete: 
"Prometeu  Virgem jejuar trs dias a po e gua..." 
(HERCULANO) 
"Dantes alimentara-se a leite e ovos..." (CAMILO) 
1) Conformidade: 
"Isto suposto, quero hoje  imitao de santo Antnio voltar-me da terra ao mar, e j que os homens se no aproveitam, pregar aos peixes." (VIEIRA) 
"Vedes vs? Pois, se olhamos bem a cousa, nenhum deles tem grande culpa, a meu juzo..." (FRANCISCO MANUEL DE MELO) "Os telogos dir-vos-o: Deus fez o homem  sua 
imagem e semelhana..." (HERCULANO) 
"- Falou  portuguesa, sr. Morgado; mas extemporaneamente..." 
(CAMILO) 
m) Meio: 
"(.'..) deixa ainda ondulando o bero do filhinho, o qual adormeceu a custo de muito embalar." (HERCULANO) 
"(...) a me era filha de Taubat, So Paulo, amiga de viajar a cavalo." (MACHADO DE Assis) 
n) Causa: 
"Deus no desampara ao justo, nem o deixar perecer  fome." 
(BERNARDES) 
"Eu ainda tentei espaar a cerimnia a ver se tio Cosme sucumbia primeiro  doena, mas parece que esta era mais de aborrecer que de matar." (MACHADO DE ASSIS) 
o) Instrumento: 
"At, at se viram 
terrenos a enxado com agro af rasgados, 
os gros da semeadura a unhas soterrados, 
e entesando o pescoo os prprios lavradores 
puxarem serra acima os carros gemedores." (CASTILHO) 
"De um lado cunhavam pedra cantando; de outro a quebravam a picareta; de outro afeioavam lajedos a ponta de pico; mais adiante faziam paraleleppedos a escopro 
e maceta." (ALUZIO 
AZEVEDO) 
361 
"(...) e antes que ela raspasse o muro, li estes dous nomes, ab tos ao prego, e assim dispostos: 
BENTO 
CAPIT0LINA" (MACHADO DE Assis) 
p) Quantidade, medida e preo: 
"(...) declamavam enfaticamente versos a milhares..." (CAMI "Que te valeram as mximas de boa vida colhidas a centenai nos teus clssicos, e enceladas nessa alma...?" 
(CAMILo) "E eu caa, nico vencido! E o tropel, de volta, vinha sobre mi: 
todos sobre mim! sopeavam-me, calcavam-me, pesados, car gando prmios, prmios aos cestos!" (RAuL POMPIA) 
"(...) passar os dias fazendo barbas a vintm..." (JOO 1 CMARA) 
" uma voragem a minha casa. Quando entro numa sapata  para comprar doze, quatorze pares de sapatos! Das lojas nur trouxe fazenda aos metros,  s peas." (MONTEIRO 
LOBA] 
q) Referncia "de uma cousa a outra que serve de norma ou tipo' 
"Que  isto? Assassinato  coisa que me no cheira a idio 
de Bernardes e Barros." (CAMILo) 
"- Abra aquela janela, disse esta ao criado; tudo cheira a mof 
(MACHADO DE ASSIS) 
6) Junto a verbo no infinitivo, forma oraes reduzidas que expr sam condio, tempo, fim, concesso, etc. 
Exemplos: 
a) Condio (equivale a se acompanhado do pretrito ou do futi do subjuntivo): 
"A ser tal culpa sabida 
sei certo que este desvairo 
pagarei com minha vida..." (CRISTVO FALCO) 
"Retrato, vs no sois meu; 
Retrataram-vos mui mal; 
Que, a serdes meu natural, 
Freis mofino como eu." (CAMES) 
* Epifnio Dias, ob. cit., p. 119. 
362 
b) Tempo (vale por quando, e neste caso  o infinitivo precedido de artigo): 
"Ao entrar na cmara de sua irm, o monge viu que Domingas 
o enganara." (HERCULANO) 
"Ao vir da primavera, a rosa lhe floria 
mais cedo que a ningum..." (CASTILHO) 
c) Fim (concorrentemente com para): 
"(...) pescadores que da saam em seus batisa pescar no Tejo." 
(HERCULANO) 
"s onze horas entrou na Cmara. Dir-se-ia que entrava Ccero 
a delatar a conjurao de Catilina." (CAMILO) 
"(...) sentia-se uma ressurreio de cavaleiro medievo, saindo 
a combater por amor de sua dama..." (MACHADO DE Assls) 
Pode dar-se, em frases deste gnero, que o infinitivo tenha sentido 
passivo: 
"Saa a enterrar um moo, filho nico de sua me, a qual era 
viva, e ia grande multido do povo com ela." (VIEIRA) 
"Ento o imperador dava outra vez a mo a beijar, e saa, acompanhado de todos ns..." (MACHADO DE Assis) 
d) Concessao (corresponde a ainda que, e  construo arcaizada): 
"Os perigos, os casos singulares, 
Que por mais de mil lguas toleramos, 
No contara, depois que no mar erro, 
A ter o peito de ao,* e a voz de ferro." (DuRO) 
7) Com esta preposio formam-se numerosas locues adverbiais: 
 baila ou  balha,  matroca,  puridade, s vezes, s claras, 
s escuros, s testilhas,  justa, a preceito, a medo, a revezes, 
a rodo, a sbitas, a ponto,  wna,  ventura, etc... 
8)  qui mais usada em Portugal do que no Brasil a preposio 
a. Anotem-se certas construes em que se patenteia tal preferncia: 
* A ter o peito de ao = ainda que tivesse o peito de ao. 
363 
partir pelo meio 
falar pelo telefone 
fazer-se pelo seu prprio esforo por derradeiro 
de 
coberto de telhas 
ir de rastro 
adornado de plumas sair de manhzinha caada da lebre 
para 
morrer para o mundo 
contribuir para a vitria 
provar com argumentos castigar com palmadas 
ter sorte no jogo estar em circulao de gro em gro de longe em longe em beneficio do ensino em busca de trabalho alistar-se no batalho assoar-se izo leno limpar 
as mos na toalha trazia um cravo no peito foi estudar em Paris estar em (de) frias 
PORTUGAL 
partir ao meio falar ao telefone fazer-se a seu prprio es ao derradeiro 
coberto a telhas ir a rastro adornado a plumas sair  manhzinha caada  lebre 
morrer ao mundo contribuir  vitria 
provar a argumentos castigar a palmadas 
ter sorte ao jogo estar  circulao de gro a gro de longe a longe a beneficio do ensino  busca de trabalho alistar-se ao batalho assoar-se ao leno limpar as 
mos  toalha trazia um cravo ao peito foi estudar a Paris estar a frias 
BRASIL 
por 
com 
em 
364 
AT 
OUTRAS PREPOSIES 
Em muitos casos, concorrem as preposies a e at na indicao da idia de termo, empregando-se de preferncia a ltima quando se deseja acentuar bem a noo de 
limite. E, a partir do sculo XVII, comeou-se a usar das duas preposies combinadas. 
Na seguinte frase, de Rui Barbosa, aproveitam-se ambas as possibilidades que a lngua oferece:* 
COM 
"Tudo assim, desde os astros, no cu, at os micrbios no sangue, desde as nebulosas no espao, at aos aljfares do rocio na relva dos prados." 
1) Pode estabelecer as seguintes relaes: 
a) Companhia: 
"Eu quero marchar com os ventos, 
b) 
Com os mundos... co 'os firmamentos!" (CASTRO ALVES) 
Instrumento: 
"E um dia inteiro ao sol paciente esteve 
Com o destro bico a arquitetar o ninho." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
c) Simultaneidade: 
"(...) e concerta com o sabili da mata, pousado no galho prximo, o canto agreste." (JOS DE ALENCAR) 
d) Causa: 
"Fora rico e empobrecera com as secas." (GUSTAVO BARROSO) 
e) Oposito (= contra): 
"Temos guerra com a Espanha, senhor." (REBELO DA SILVA) 
* Usam-se as duas formas: vou at o jardim e vou at ao jardim. A duplicao de preposies pode ser explicada por cruzamento: 
vou at o jardim + vou ao jardim. 
E a opinio de Rodrigo S Nogueira, Questes de linguagem, 3 vois., Lisboa, C1s- 
sica, 1934-1936, vol. 1, p. 234. 
365 

2) Em particular emprega-se com: 
a) Falando do que se tem (est com febre, um homem com filhos); do que se traz (andar com cinco anis nos dedos); do c 
contm (um caixote com laranjas). 
b) Com os verbos e locues que exprimem a qualidade das rei entre seres: estar bem ou mal com algum, ter intimidade com al, 
3) Deparar com  construo analgica, empregada ao lado da truo melhor - deparar-se algo a algum: 
Deparou-se-me um cenrio novo e maravilhoso. 
Deparara-se-lhes amplo campo de pesquisas. 
4) Copo com gua - copo d'gua. 
E manifesta a preferncia popular por copo com gua. Copo d 
 forma melhor, mais simples e eufnica. A preposio de tar 
exprime contedo: garrafa de vinho, cesta de ovos, caixa defsj 
S Nogueira distingue copo d'gua (cheio d'gua) e copo com 
(com alguma gua). 
5) Observa-se, na construo de certos verbos, a presena d prefixo que repete a preposiao reclamada por esses verbos: 
Exemplificando a de com: 
concordar com, combinar com, concorrer com, colaborar cooperar com, confrontar com, coabitar com, coexistir com fundir com, coadunar com, coincidir com, confinar 
com, parar com, etc. 
6) Com r'cursos ou sem eles  a construo gramatical con se evita a menos boa: Com ou sem recursos. 
Esta ltima, todavia, est-se vulgarizando como 'variante' d 
meira, mesmo na lngua culta. 
CONTRA 
1) Denota oposio, direo contrria: 
"(...) e acabou por lanar mo da moringa e arremess-la c 
mim." (MACHADO DE Assis) 
366 
"... e contra as rochas 
As vagas compeliste." (GONALVES DIAS) 
2)  galicismo na acepo de em troca de (Epifnio, oh. cit., pargrafo 215): 
Entregarei os papis contra recibo. 
Diga-se: mediante recibo. 
3) A indicar proximidade, contigidiide, est-se usando modernamente, em vez de a, com o verbo apertar e equivalentes: 
"Apertei contra o corao o punho da espada." (HERCULANO) 
"O guerreiro parou, caiu nos braos 
Do velho pai, que o cinge contra o peito, 
Com lgrimas de jbilo bradando: 
- Este, sim, que  meu filho muito amado!" (GONALVES DIAS) 
"Agarra o saco, e apalpa-o, e contra o peito o aperta, 
Como para o enterrar dentro do corao." (OLAvo BILAc) 
DE 
1) Introduz o complemento relativo de muitos verbos: 
precisar de, gostar de, depender de, lembrar-se de, esquecer-se 
de, abster-se de, etc. 
2) Inicia o objeto direto preposicional: 
"Ouvirs dos contos, comers do leite e partirs quando quiseres." (RODRIGUES LOBO) 
"Arrancam das espadas de ao fino 
Os que por bom tal feito ali apregoam." (CAMES) 
3) Pode preceder uma orao subordinada substantiva, reduzida de infinitivo, a qual funcione como sujeito de certos verbos de efeito moral (pesa, peja, di, apraz): 
"Di-me tambm, senhor conde - acrescentou o cavaleiro - de ser eu quem vos houvesse de trazer to desagradvel notcia." 
(HERCULANO) 
367 
4) Expressa, entre outras, as seguintes relaes: 
a) Lugar donde, ponto de partida: 
"Vinha do piano, enxugando a testa com o leno." (MACHAD 
DE Assis) 
b Origem, procedncia: 
"Sou filho das selvas, 
Nas selvas cresci. 
Guerreiros, descendo 
Da tribo Tupi." (GONALVES DIAS) 
c) Causa: 
"Cegos de ver miragens tenho os olhos." (AUGUSTO DE LIMA 
"Ele chorou de cobarde..." (GONALVES DIAs) 
d) Efeito: 
"O estado dela  gravssimo; mas no  mal de morte." 
(MACHADO DE Assis) 
e) Assunto: 
"Falemos do direito ao gldio que reluz!" (CASTRO ALvEs) 
J) Meio: 
"Porque o Senhor at  idade de trinta anos vivia do ofcio d 
S. Jos, e do trabalho de suas prprias mos." (VIEIRA) 
g) Instrumento: 
"J do sinal, e o som da tuba impele 
Os belicosos nimos que inflama: 
Picam de esporas, largam rdeas, logo, 
Abaixam lanas, fere a terra fogo." (CAMES) 
h) Modo: 
"No me olhou de rosto, mas a furto e a medo." (MACHAD 
DE Assis) 
1) Lugar onde: 
"(...) Considera 
agora, desta altura fria e austera, 
os ermos que regaram nossos prantos." (ANTERO DE QUENTAL 
j) Agente da voz passiva: 
"Querendo Slon, filsofo ateniense, consolar a um amigo seu 
oprimido de veemente tristeza..." (BERNARDES) 
368 
1) Tempo: 
"De noite, em doces sonhos que mentiam; 
De dia, em pensamentos que voavam..." (CAMEs) 
5) "Ligando um substantivo (ou equivalente) a outro, quer imediatamente, quer mediante certos verbos (ser, estar, parecer, etc.) serve 
de caracterizar, definir ou descrever uma pessoa ou coisa. 
Neste emprego, o de indica muitas relaes comuns, como as que se notam entre o autor e a sua obra; o possuidor e a coisa possuda; algum ou alguma coisa e aquilo 
que lhe pertence, lhe  prprio ou lhe diz respeito; o continente e o contedo; o indivduo e a espcie; o geral e o particular; a ao e o lugar onde se realizou 
(o sermo da montanha); uma coisa e a sua forma (escada de caracol); a sua durao (rosas de todo o ano); a data em que foi feita (po de hoje); a sua composio, 
formao ou constituio (uma comisso de professores); a sua dimenso (estrada de trs quilmetros); o seu valor ou preo (canetas de 60 cruzeiros); o lugar onde 
vive (gato do inato); onde se aloja (bicho de p); o instrumento, rgo, dispositivo mecnico, ou agente com que funciona ou se maneja (carrinho de mo, escada de 
mo, carro de bois, instrumento de sopro, navio de vela, barco de vapor, lancha de gasolina); o lugar a que se destina (bonde das Aguas Frreas, um auto-lotao 
do Cosme Velho); aquilo que produz (o bicho da sedti); etc., etc."* 
6) Junta-se  interjeio ai ou guai, e, por analogia, aparece com palavras como coitado, feliz, infeliz, pobre, empregadas em exclamaes: 
"Ai, ai, ai deste ltimo homem, est morrendo e ainda sonha 
com a vida." (MACHADO DE Assis) 
"Feliz de quem sempre espera!" (Joo DE DEUS) 
7) Rege infinitivos que formam conjugaes perifrsticas com verbos como cessar, ter, haver, deixar, etc.: 
cessou de falar, ter de ir, havemos de partir, deixaste de comparecer. 
8) Forma numerosas locues adverbiais: 
de joelhos, de p, de roldilo, de propsito, de indstria, de chofre, de improviso, de soslaio, de repelo, de esguelha, etc... 
* Sousa da Silveira, Sintaxe da preposio 'de', Rio de Janeiro, Simes, 1951, pp. 64-5. 
369 
9) Pode-se dizer: 
Datar de ou datar em 
mas somente 
Atravs de: atravs da janela (e no: atravs a janela). 
Observao: 
TER + QUE + INFINITIVO TRANSITIVO 
Tenho umas cartas que escrever. 
Fiquei perplexo: nada tive que dizer. 
 A Cmara francesa trata agora de converter em delito de pena capital a traio, ainda quando inspirada por motivos polfticos. Pela nossa parte, nada temos que 
objetar." (Rui, Cartas de hzglaterra, edio oficial, p. 27.) 
Nestas frases, o que  pronome relativo e serve de objeto direto - respectivamente 
- aos infinitivos escrever, dizer e objetar. 
Pode dar-se t caso de estar omitido o antecedente do pronome relativo, como nas 
frases seguintes: 
No posso sair agora: tenho (algo) que estudar. 
Em face da situao, no tenho (coisa alguma) que dizer. 
TER + DE + INFINITIVO INTRANSITIVO OU TRANSITIVO 
Todos temos de morrer. 
Tenho de sair  noite. 
Tenho de escrever umas cartas. 
O medico ter de atender a todos os pacientes. 
Neste caso, h uma locuo verbal que indica ser infalfvel, ou necessrio, o fato 
expresso pelo infnitivo. 
Como resultado de um cruzamento sinttico, surgiu estoutra construo: 
Tenho que escrever umas cartas. 
nascida da confuso entre: 
Tenho (algo) que escrever 
e 
Tenho de escrever umas cartas. 
Grandes escritores contemporneos deram-lhe,  construo cruzada, gasalhoso 
acolhimento; de forma tal, que ela , hoje, um fato da lfngua. 
Eis alguns exemplos de Rui: 
No sentir, por que assim digamos, unnime de Paris, Dreyfus devia ter sido condenado  morte. Essa foi a voz das ruas, a da imprensa, e a da tribuna. Os radicais 
trovejaram tempestades contra o governo e a situao social. O Parlamento incendiou-se em uma cena de escndalo. O prprio elemento moderado teve que render o seu 
preito  fora da corrente..." (Cartas de Inglaterra, 1896, p. 25) 
Cingir-me-ei, estritamente, a falar-vos como falaria a mim prprio, se vs 
estivsseis em mim, sabendo o que tenho experimentado, e eu me achasse em 
vs, tendo que resolver essa escolha." (Orao aos moos, 1921, p. 40) 
370 
-. 1 I 1 1 
S em sete pontos, logo, teria o dr. Carneiro que defender a sua reviso contra a minha...' * (Rplica, 1904, p. 28) 
Eis a melhor maneira de analisar uma frase do tipo: 
Tenho que escrever umas cartas. 
Sujeito: eu (implcito na desinncia verbal). 
Predicado: tenho que escrever umas cartas. 
Ncleo verbal: tenho que escrever. 
Objeto direto: umas cartas. 
Note-se que este que  pronome relativo (fossilizado); e no, preposio. 
Alis, em hiptese alguma, pode um que ser preposio. 
DESDE 
Designa o ponto de partida de um movimento ou extenso (no espao, no tempo, ou numa srie), para assinalar especialmente a distncia. 
"Ohed  rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus por areias 
e colinas, desde Cora.zim at o pas de Moab." (EA DE QuEIRs) 
EM 
1) Indica, principalmente: 
a) Lugar onde (interior e exterior): 
"No meu quarto uma luz com lumes amenos..." (EuGNIo DE 
CASTRO) 
"(...) no ntimo, em cada fibra..." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
"O ch estava na mesa." (MACHADO DE Assls) 
b) Tempo: 
"Destroem-se em minutos, feitos montes de leivas, antigas roas 
penosamente cultivadas." (EUCLIDES DA CUNHA) 
c) Estado: 
"Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento 
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo..." (OLAvo BILAC) 
371 
d) Mudana de estado: 
"Converte-se-me a carne em terra dura, 
Em penedos os ossos se fizeram..." (CAMEs) 
"E por memria eterna em fonte pura 
As lgrimas choradas transformaram." (CAMES) 
"Deus os reverta da pedra e cal em homens." (Rui) 
Dos verbos que encerram a idia de 'converter', o nico que n 
se constri com em  reduzir (reduzir a cinzas). 
e) Preo (com os verbos avaliar, estimar, taxar, etc.): 
"Avaliaram alguns o presente em um milho." (BERNARDES 
.fl Modo: 
"Do Helesponto, do Egeu, do Jnio, em romaria, 
Vinham v-la e admir-la efebos e donzelas." (OLAvo BILAC 
2) A preposio in, seguida de acusativo, podia ter sentido FINA] em latim. Apesar de ter sido, nesta acepo, substituda geralment 
por ad, ficaram alguns vestgios daquele emprego em expresses como 
em memria de, em lembrana de, em vingana de. 
3) Precede o gerndio, exprimindo, sobretudo, tempo e condi2o "A vida no tem mais que duas portas: uma de entrar, pelo nas cimento; outra de sair, pela morte. 
Ningum, cabendo-lhe a vez se poder furtar  entrada. Ningum, desde que entrou, em 1h chegando o turno, se conseguir evadir  sada." (Rui) 
4) O iii que se combina com acusativo (in urbem ire) foi igualmenti substitudo, na maioria dos casos, por ad. 
Tal transformao, que j estava bastante adiantada no perodo ds sico, tem progredido cada vez mais na lngua literria moderna, o qw atesta ser o portugus, assim 
como o espanhol, um dos idioma romnicos mais seguramente etimolgicos no emprego das preposie em e a. 
Na sintaxe literria de nossos dias no  comum encontrar-se ei com verbos de movimentos (ir na cidade), a no ser em certas cons trues como tornar em si, cair 
no lao, saltar em terra, etc., e aind na combinao de... em: de casa em casa, de porta em porta, etc. 
E, ainda, incontestvel o sentido diretivo da preposio em cons 
trues como crer em, pensar em, meditar em, refletir em, etc. 
72 
5) Em numerosos tipos de construo usa-se indistintamente* em ou a: 
pr  venda, em venda 
pr a salvo, em salvo 
a gritos, em gritos 
sair a campo, em campo 
a comparao de, em comparao de 
ao outro dia, no outro dia 
a benefcio de, em benefcio de 
 puridade, em puridade 
um a um, um em um 
a meu juzo, em meu juzo 
incorporar a, em 
pela vida afora, em fora 
continuar a fazer, continuar em fazer 
primeiro a sair, primeiro em sair 
AL tirar a limpo, tirar em limpo 
nte levar a mal, levar em mal. 
6) Diz-se: dentro em ou dentro de. 
"(...) ento (e por isso mesmo)  que mais  vista do corao 
estamos; no s bem  sua vista, seno bem dentro nele." (Rui) 
"Dentro em meu corao..." (MACHADO DE Assis) as- 
ENTRE 
1) Designa: posio no meio (assim no espao como no tempo, e, ainda, figuradamente): 
te Estar entre a cruz e a caldeirinha. 
"Oscilas entre a crena e o desengano, 
Entre esperanas e desinteresses." (OLAvO BILAC) 
ue 
ras Da decorre imediatamente o sentido equivalente ao de chez fran e cs, em frases assim: 
"Nem to alta cortesia 
Vi eu jamais praticada 
Entre os Tupis..." (GONALVES DIAS) 
da ______________ 
* Da equivalncia em: a trataram largamente Rui Barbosa, Rplica, 3 vois., Rio de Janeiro, Ministrio da Educao e Sade, 1953, vol. 2, pp. 322-9; Augusto Magne, 
Dicionfrio da lngua portuguesa, cit. Daitro Santos, Revista de lngua portuguesa, 
n? 44, pp. 111-97. 
373 
"Tal andava o tumulto levantado 
Entre os deuses no Olimpo consagrado." (CAMES) 
2) Emprega-se antes de adjetivos, para denotar certo estado de pei plexidade ou vacilao: 
"- Mereo? inquiriu ela, entre desvanecida e modesta." 
(MACHADO DE Assis) 
3) Vale o mesmo que de si para si: 
"Continua a examinar os ris, resmungando entre si." (CASTILHC 
PARA 
1) Introduz o objeto indireto: 
"- Se quiseres, podes dar isso a teu irmo. 
Para ele  que eu o destinava..." (JLIO DINIs) 
- Isto  para mim. * 
2) Pode estabelecer, entre outras, as seguintes relaes: 
a) Lugar para onde: 
"E para casa se partiu." (MACHADO DE Assis) 
b) Direo: 
"Para o norte inclinando a lombada brumosa, 
Entre os nateiros jaz a serra misteriosa..." (OLAVO BILAc) 
c) Fim: 
"Talhado para as grandezas..." (CASTRO ALvE5) 
"Capitu ia 1 coser, s manhs; alguma vez ficava para jantar. 
(MACHADO DE Assis) 
d) Conseqncia: 
"Achas que vivo muito triste para ser feliz!" (REBELO DA SILvJ 
"Objetar-me-eis com a guerra? Eu vos respondo com o arbitr 
mento. O porvir  assaz vasto para comportar esta grande e 
perana." (RUI) 
* Em espanhol: Eso es para mi. Cf. Amado Alonso e Pedro Henrfquez Urefi Granuurica casteliana, cit., p. 77. 
374 
 legitimamente vernculo este emprego da preposio para em conexo com uma partcula da intensidade - muito, assaz, demais, etc. 
- da orao anterior, emprego que alguns puristas tm, sem razo, impugnado como galicismo. 
3) Usa-se ainda em vrias construes, assim resumidas por Epifnio Dias.* 
a) Na designao da proporcionalidade: 3 est para 6 como 2 para 4. 
b) Falando-se d capacidade, em locues como: algum iu7o  para tal trabalho, tal trabalho no  para algum. 
c) Na designao do que uma cousa requer para ser efetuada: jor'lada para 15 dias; trabalho para 4 horas. 
d) Na designao do tempo em relao ao qual uma coisa  dada, exigida, etc.: mantimentos para um ms. 
e) Depois de muitos adjetivos: honroso, desonroso, indecoroso, odioso, indulgente, bondoso (s vezes reforada por com: indulgente 
para (com) os amigos). 
4) Muitas vezes, a preposio para introduz uma orao de fonna subordinada, porm de sentido fortemente independente da principal. ** 
Ele caiu para no mais se levantar. 
Fomos primeiro a Roma para irmos depois a Npoles. 
A rigor, o que a temos so dois fatos consecutivos, um dos quais 
realizado logo depois do outro. 
Tais pensamentos poderiam expressar-se sob forma coordenativa: 
Ele caiu e no mais se levantou. 
Fomos primeiro a Roma e depois a Npoles. 
POR 
1) Coexistiam no portugus antigo as preposies por (do latim pro) e per (do latim per), cada qual com o seu valor etimolgico. 
* Augusto Epifnio da Silva Dias, ob. cit., pp. 121-3. 
** C. de Boer, Essai sur la syntaxe inoderne de la prposition en franais et en italien, Paris, Champion, 1926, pp. 17-20. 
375 
Por veio a suplantar a sua concorrente, que sobrevive apenas na expresses per si, de per si, de permeio e nas combinaes com o ai tigo definido e com o pronome 
demonstrativo tono (pelo, pela, pelo. pelas). 
2) Tem por oficio esta preposio: 
a) Anunciar o agente da voz passiva: 
"Piloto aqui tereis, por quem sejais 
Guiados pelas ondas sabiamente." (CAMEs) 
b) Reger o anexo predicativo do objeto direto de certos verbos, e pecialmente ter, haver, tomar, dar (= declarar), julgar: 
Todos o tm por sbio. 
"(...) se a lei processual, em todo o mundo civilizado, no hoi vesse por sagrado o homem, sobre quem recai acusao ainc inverificada." (RuI) 
"Mas todo o mundo vo-lo dar por l(qido e certo..." (Rui "Tomando a vez de meu filho, 
De haver-me por pai se ufane!" (GONALVES DIAs) 
3) Anotem-se somente estas relaes mais importantes: 
a) Lugar por onde: 
"Por mares nunca de antes navegados 
Passaram ainda alm da Taprobana." (Os Lusadas, 1, 1) 
"E por onde ela passa a sombra se ilumina." (VICENTE E 
CARVALHO) 
b) Lugar, "com idia de disperso, de existncia de uma coisa e vrios pontos de uma extenso":* 
"(...) relanceou os olhos pela sala." (MACHADO DE Assas) 
c) Tempo: 
"E hei de amar-te por toda a eternidade." (FRANCIsc 
OTAVIANO) 
d) Meio: 
"Que no  prmio vil ser conhecido 
Por um prego do ninho meu paterno." (Os Lusadas, 1, l 
* Sousa da Silveira, Lies de portugus, cit., p. 238. 
376 
e) Causa: 
"Por uma fatalidade, 
Dessas que descem do Alm." (CASTRO ALVEs) 
f) Fim (= para): 
"E por memria eterna em fonte pura 
As lgrimas choradas transformaram." (Os Lusadas, III, 135) 
g) Conformidade: 
"Ns outros, modelando-nos pelos franceses, desprezamos o gnero..." (ODoRIco MENDES) 
h) Substituiao: 
"(...) vendei gato por lebre..." (MACHADO DE Assis) 
"(...) falava por ela a idade, o tempo e a necessidade, e pedia socorro apressado." (FREI Lus DE SousA) 
i) Favor (= em defesa de, em prol de) Morrer pela ptria. 
Combater por um deal. 
SEM 
Indica nega ao, ausncia, desacompanhameiur 
"Em cada olhar sem luz um sol sem vida." (Lus DELFINO) 
SOB 
"E, sem nada dizer, disseste tudo!" (RAIMUNDO CORREIA) 
Exprime positlo inferior: em baixo de: 
"A revezes, as fogueiras quase abafadas, vasquejando sob nuvens de fumo..," (EUCLIDES DA CUNHA) 
Mais freqentemente  empregada em sentido figurado: 
sob pretexto de, sob pena de, sob proposta, etc. 
377 
SOBRE 
Denota: 
a) Posiilo superior: em cima de: 
"(...) com as mos cruzadas sobre o peito." (CAMILO) 
"A luz cada 
Do lampio sobre a ave aborrecida 
No cho espraia a triste sombra..." (MACHADO DE Assis) 
b) Tempo aproximado: 
"Sobre a tarde, quando o colorido tropical da nossa natureza desmaia na melancolia crepuscular..." (RuI) 
c) Assunto: 
Falar sobre religio (= acerca de, a respeito de). 
Tal emprego no  galicismo, conforme alguns tm ensinado; j 
em latim,  preposio super cabia estabelecer relao idntica. 
Eis um exemplo de Cames (Os Lusadas, 1, 20): 
"Quando os deuses no Olimpo luminoso 
Onde o governo est da humana gente, 
Se ajuntam em consflio glorioso 
Sobre as cousas futuras do Oriente..." 
cl) Excesso (= alm de): 
"Ah! no havia dvida que o pequeno era com efeito muito emhirrantezinho. Sobre ser uma criana feia, .. mostrava grande dificuldade para aprender as cousas mais 
simples." (ALuzIo 
AZEVEDO) 
Emprega-se ainda como sinnimo de em seguida a: 
Dormir sobre o jantar. (Apud EPIFNIO, ob. cit., p. 161) 
e) Direo (com o matiz subsidirio de oposio e hostilidade): 
"Recrescem os imigos sobre a pouca 
Gente do fero Nuno, que os apouca." (CAMEs) 
 o caso comum de frases como: 
lanar-se sobre algum, cair sobre o inimigo, atirar-se sobre o 
adversirio. 
378 
